Um estudo sobre panificação, biscoitos e confeitaria

Projeto de fortalecimento e oportunidades para pequenos negócios do setor de Panificação, Biscoitos e Confeitaria foi realizado a partir do convênio firmado entre o Sebrae e a Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip).

O Sebrae se destaca no atendimento e promoção do desenvolvimento dos pequenos negócios brasileiros e 18 unidades do Sebrae já realizaram projetos junto às empresas do setor de panificação e confeitaria.

A Abip envolve a coordenação e defesa da classe dos industriais da panificação e confeitaria em todo o território nacional, e busca a colaboração dos Poderes Públicos e demais Associações, no sentido de consolidar a solidariedade social.

Além da Abip, atua ainda como parceiro nessa ação o Instituto Tecnológico da Panificação e Confeitaria (ITPC), na compilação de dados e avaliações do material da pesquisa.

O estudo foi dividido em quatro capítulos, relacionando:

  • O comportamento do consumidor;
  • O mercado de panificação e confeitaria;
  • O negócio de panificação e confeitaria, com as tendências para os próximos anos;
  • Estudos de caso que ajudam a ilustrar iniciativas inovadoras que alavancam o setor para novos rumos.

Espera-se que a partir desse material possa ajudar aos empresários do setor, entidades e organizações que com ele se relacionam, a identificar potenciais ainda não trabalhados, ou mesmo, aperfeiçoar ações incipientes, que podem se tornar fonte de evolução e consolidação da panificação e confeitaria como um segmento relevante da economia brasileira.

Visão do setor de panificação e confeitaria para o futur

A Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria – ABIP finalizou a primeira grande etapa da construção de seu Plano Estratégico para um horizonte de 10 anos. Este trabalho, iniciado com a diretoria nacional da ABIP em agosto de 2013, foi apresentado à diretoria da entidade na 65ª Convenção Nacional da ABIP, em 08 de maio de 2014, em NATAL/RN.

Os objetivos deste trabalho foram:

Objetivo Geral:
• DESENVOLVER UMA VISÃO DE FUTURO ( 10 ANOS )
• CONSTRUÇÃO DO PLANO DE AÇÃO ESTRATÉGICO 2013 – 2017

Objetivos Específicos
1. Construir a visão de futuro do setor
2. Ampliar a visão e contexto das entidades de panificação
3. Ampliar a visão e contexto da ABIP
4. Definir os objetivos estratégicos
5. Construir um plano de ação Integrado
6. Estabelecer indicadores de acompanhamento

Esse trabalho foi construído observando o cenário futuro da panificação e confeitaria brasileira e também o “modus operandi”, tanto da ABIP, como da maioria das entidades de panificação no país. A observação do atual contexto da ABIP e das entidades do segmento, fazendo uma projeção futura, foi necessária, tendo em vista que essas entidades têm um papel fundamental no suporte ao desenvolvimento do setor.

Na segunda fase deste trabalho serão identificados os objetivos estratégicos e a construção de um plano de ação integrado que possa focar no desenvolvimento das entidades e da ABIP, de forma que essas possam dar suporte e tenham pró-atividade para promover o desenvolvimento do setor, conforme a visão que está descrita abaixo.

A compilação e construção da visão de futuro foram baseadas em trabalhos realizados com a diretoria e líderes da panificação brasileira, além de pesquisas realizadas e confirmações de cenários, observados também na EUROPAIN 2014 pela ABIP.

Visão de futuro até 10 anos (2023)

• O mercado brasileiro de panificação e confeitaria terá quatro principais tipos de padarias nos próximos anos:

1ª) as padarias gourmet, caracterizadas por padarias com mais de 300 m² de loja ou casas completas – essas padarias permanecerão em destaque pela amplitude de serviços e produtos que oferecem ao mercado. Os momentos de consumo iniciam-se com o café da manhã a quilo, depois almoço, pizza e caldos à noite, além do amplo mix de pães e produtos panificados. Essas Padarias Gourmet são focadas no food-service e oferecem produtos de conveniência, vinhos, horti-fruti, cafeteria. A produção é própria e poderão também fabricar e fornecer para outras padarias da rede ou mesmo para o mercado em geral.

2ª) as padarias com espaço entre 100m² / 300m² de loja – essa lojas menores irão, ainda, oferecer produtos de conveniência, terão foco em food-service, comida a quilo ou mesmo prato do dia, e um amplo mix de pães. Terão conveniência e outros produtos, porém, com poucas opções de escolhas. Terão produção própria de poucos tipos de pães e o grande mix de pães e confeitaria será comprado de centrais de produção e ou indústrias de congelados.

3ª) lojas com menos de 100m² – em função do alto custo de mão de obra e tributação brasileira, a grande mudança virá através deste terceiro modelo de padaria. Haverá abertura ou mesmo adequação de um grande número de padarias ao espaço menor que 100m², com forte tendência para padaria pequenas 40-50 m². Essas padarias não terão produção de pães e todo seu mix de produtos virá das fbricas de congelados. Nascerá´, desta forma, uma rede de padarias comércio, hoje não existente no Brasil.
4ª) boulangeries ou boutiques de pão – o mercado preservará também o surgimento de padarias boulangerie ou boutique de pão (pequenos negócios e pequenas lojas), que produzirão pães especiais com fermentação natural e um alto valor agregado, voltado para público diferenciado e especialmente exigente.

Outros pontos identificados:
• No período de 2000 a 2014, tivemos a primeira grande revolução no setor de panificação, quando o negócio padaria foi reinventado, surgindo o foco na profissionalização da gestão e padaria gourmet, ou padaria com foco no food-service com vários momentos de consumo.
• Virá agora a segunda grande revolução do setor de panificação e confeitaria, que é a criação de centenas de fábricas de pães e confeitaria. Serão as centrais de produção com produtos congelados.
• Empresários panificadores farão sociedades e estarão investindo em central de produção e congelamento para fornecimento de pães para suas padarias. Em um segundo momento, após aprimorarem suas operações e qualidade dos produtos, poderão ampliar a venda de pães, confeitaria e salgados para o mercado.
• Teremos grandes indústrias, que hoje são fornecedoras de matéria prima, vendendo para as padarias, pães congelados e pré-assados congelados, produtos e confeitaria e também massa congelada.
• Tendência do food-service continua dentro da padaria;
• Teremos nesses próximos 10 anos a ampliação do mix de pães no Brasil com uma qualidade muito superior a atual. O processo de congelamento irá auxiliar na estabilização da qualidade do produto.
• O estoque de pães congelados dentro da padaria irá permitir ao empresário panificador gerenciar estoque e assim diminuir perdas, servir pães quentes a toda hora e dar folga ao padeiro nos domingos.
• O Brasil irá conhecer, de forma mais ampla, o que são os pães com fermentação longa e assistiremos ao retorno do uso de massa madre. Conseqüentemente, ampliará a procura por fornos de lastro.
• A fabricação do pão francês nas padarias pequenas permanece até a tecnologia do frio dar resposta de melhor qualidade a ele.
Neste cenário, as centrais de produção e congelamento, dentro do setor de panificação, surgirão, em primeiro lugar, com os próprios empresários panificadores, investindo em pequenos equipamentos e aprendendo sobre a tecnologia do frio para utilização em seus negócios. Assim, as padarias irão produzir e congelar seus próprios pães. O importante nesta ação é o panificador e padeiro passarem a dominar a tecnologia do frio.
No segundo momento, alguns empresários se reunirão para montar centrais de produção com congelamento, focado no abastecimento das padarias do grupo.
Os grupos de empresários panificadores ganharão conhecimento e domínio desta tecnologia e tenderão a ampliar suas fabricas frente a concorrência no mercado de congelados.
Com a concorrência das indústrias de pães congelados surgirão indústrias maiores, com níveis de investimento mais elevado e produzindo pães tipo artesanal em escala industrial. As grandes indústrias fornecedoras do setor de panificação também irão focar na produção dos produtos panificados.
• Os consumidores exigirão novos tipos de pães, focados na saúde, como: pães funcionais, pães para dieta, sem glúten, com fibras e novos hábitos surgirão.
• Padarias começam a utilizar da tecnologia da informática, rede sociais e acesso ao mercado pela internet.
• Segunda e terceira geração das padarias mais profissionais e ágeis, com orgulho do negócio padaria, principalmente porque o volume de trabalho será reduzido usando a tecnologia do frio.
• Padeiros e confeiteiros valorizados no mercado de trabalho e com formação / profissionalização consistente.
Assistiremos nos próximos anos a uma grande mudança no setor de panificação e confeitaria.
As ações focadas para melhor estruturação e profissionalização das entidades de panificação e ABIP estarão sendo iniciadas, já neste ano de 2014. Contudo, as informações deste relatório não serão disponibilizadas para o mercado, permanecendo somente para a diretoria da ABIP.

O FUTURO DA PANIFICAÇÃO JÁ COMEÇOU!

Panificadoras faturaram R$ 8,63 bilhões

Em Minas Gerais, o segmento de panificação e confeitaria é composto por 6,3 mil empresas, representando 9,3% do mercado nacional. De acordo com o Instituto Tecnológico da Panificação, Alimentação e Confeitaria (ITPC), as panificadoras mineiras tiveram, em 2016, um aumento no faturamento bruto de cerca de 3,0%, chegando a R$ 8,63 bilhões.

Seguindo a tendência nacional, as empresas mineiras usaram os próprios produtos como forma de se sustentar. A produção própria foi responsável por 63,03% do faturamento, o equivalente a R$ 5,44 bilhões.

“O mercado mineiro é extremamente competitivo. O poder de compra do consumidor vem caindo desde 2015 e o que a minha experiência mostra é a necessidade de ajuste do mix. Avaliar a rentabilidade de cada produto e adequar a produção é fundamental. Reduzir o número de itens e focar na qualidade é o caminho. Precisamos administrar e diminuir as perdas ao máximo”, alerta o presidente da Associação Mineira da Indústria de Panificação (Amip), Tarcísio José Moreira.

A crise econômica bateu forte no setor, que ainda sofreu o impacto das mudanças do mercado com novos entrantes e variação no perfil de consumo (lojas de vizinhança, food trucks, atacarejos, entre outros). A inflação geral no País, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor – Amplo (IPCA), foi de 6,29%, enquanto a inflação nos 30 principais produtos do mix (18 de produção própria e 12 de revenda) foi de 9,7%.

Outros números que indicam as dificuldades atravessadas pelo setor são o de faturamento dos itens de revenda, que recuou 6,95%; o número de funcionários, que caiu 2,0%, e o fluxo de clientes que reduziu 4,06%. O tíquete médio, de outro lado, cresceu 7,5%.

“O ano passado foi extremamente difícil. Os números mostram que precisamos cuidar mais do varejo. Tradicionalmente damos mais atenção à produção, mas quando colocamos os produtos na vitrine temos que nos compreender como varejo. Temos que nos profissionalizar na panificação e nos serviços”, afirma o presidente da Amip e do Sindicato Intermunicipal das Indústrias de Panificação e Confeitaria de Massas Alimentícias e Biscoitos do Estado de Minas Gerais (SIP), José Batista de Oliveira.

Os dados são do levantamento “Indicadores 2016 – Desempenho de Empresas de Panificação e Confeitaria Brasileira”, realizado pelo Instituto Tecnológico da Panificação, Alimentação e Confeitaria (ITPC) em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip), foi divulgado ontem, em Belo Horizonte, durante o seminário “Balanço, tendências e perspectivas – panificação, confeitaria e varejo alimentar em Belo Horizonte”. O evento foi realizado na sede do Sindicato e Associação Mineira da Indústria da Panificação (Amipão), na região Centro-Sul.

A pesquisa foi realizada com 400 padarias de diferentes portes e perfis e indica que os melhores resultados foram obtidos pelas empresas que apostaram nos produtos de fabricação própria. Esse rol de produtos teve crescimento em vendas de 11,2%.

No encontro, o presidente da Amip e do Sindicato Intermunicipal das Indústrias de Panificação e Confeitaria de Massas Alimentícias e Biscoitos do Estado de Minas Gerais (SIP), José Batista de Oliveira, trouxe os “indicadores financeiros, operacionais e de produtividade na conjuntura nacional”. O presidente da Associação Mineira da Indústria de Panificação (Amip), Tarcísio José Moreira, abordou o tema “Maneiras como padarias e confeitarias podem aumentar sua rentabilidade e se tronarem mais competitivas”. E, por último, o presidente do ITPC e coordenador nacional do Programa de Desenvolvimento à Alimentação, Confeitaria e Panificação, falou sobre as tendências de consumo para 2017 com a palestra “O que o consumidor deseja e como atender os variados momentos de compra do cliente”.

CRIATIVIDADE AJUDA PADARIAS A DRIBLAR CRISE

Em agosto de 2015, os empresários Abilio Diniz e Jorge Paulo Lemann compraram a pequena rede de padarias paulista Benjamin Abrahão. Acostumados com transações bilionárias, os empresários pretendem transformar a marca em uma grande rede nacional. O interesse dos dois neste tipo de negócio também acendeu um alerta de oportunidade para outros empreendedores.

Diniz e Lemann não buscaram o mercado de panificação à toa. Entre 2007 e 2012, o setor cresceu dois dígitos. O país tem mais de 63 mil padarias e, em 2015, elas movimentaram R$ 84,7 bilhões, segundo dados do Instituto Tecnológico de Panificação e Confeitaria (ITPC) em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (ABIP). São mais de 15 milhões de pãezinhos vendidos todos os dias. Os negócios são, na maioria, pequenos e familiares.

O resultado do ano passado, no entanto, desanimou o setor: o crescimento de 2,7% foi visto como negativo, frente à inflação de quase 11%. “Apesar de baixo, o resultado caiu menos do que o de outros setores de alimentação. Frente ao fiasco da economia brasileira em 2015, não foi tão ruim”, diz José Batista de Oliveira, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip).

Além da alta no preço da farinha impactado pelo dólar, o mercado sofreu um movimento inédito nos últimos anos: a redução na quantidade de consumidores. “Por mais que tenha tido um aumento no ticket médio, o faturamento caiu porque o fluxo de clientes diminuiu”, diz Karina Muniz, consultora do Sebrae-SP.

Como consequência, o setor sofreu com a perda de 32 mil postos de trabalho. “Estamos começando a desempregar e tem padarias fechando. A causa é a falta de dinheiro no bolso do consumidor e o aumento do desemprego. As pessoas ficam com medo e gastam menos”, explica Antero José Pereira, presidente do Sindicato e Associação dos Industriais de Panificação e Confeitaria de São Paulo (Sindipan/Sampapão).

Apesar do resultado ruim de 2015 que deve se repetir nos próximos dois anos, o mercado é cheio de oportunidade e quem consegue inovar escapa dos efeitos da crise.

Uma das saídas para não depender só das vendas matinais do pãozinho francês foi criar as chamadas “superpadarias”. “Hoje, as padarias estão virando multicomércio: tem sopa, varejo, adega, buffet no almoço. É o único modelo que consegue contemplar todos os horários de consumo. É um negócio amplo e geralmente aberto das 6 às 23 horas”, afirma Karina.

Das padarias centenárias, passando pela indústria, a escola de panificação e a inovadora micropadaria, o mercado sente a crise, mas mostra que inovação gera oportunidade e bons resultados. “As empresas precisam ter atitude positiva. Se ficar só olhando para crise e achar que está tudo perdido, cada dia será pior. Mas, se você acreditar que pode, com criatividade, inteligência e ações positivas, eu creio que você minimiza a dificuldade”, diz Oliveira.

Como sobrevive uma padaria centenária
Apesar de conhecida pelos pães de receita centenária, a padaria Basilicata, na região do Bexiga, em São Paulo, parece, na primeira olhada, um armazém. Como nem só de pão se faz o faturamento, garrafas de vinho, azeite e licores dividem espaço com vidros de condimentos, pimentas e queijos.

Passar por crises é quase especialidade da padaria. Fundada em 1914, por um imigrante italiano, o estabelecimento sobreviveu a vários momentos da economia do país. Felipe Ponzio trouxe para o Brasil a tradição de fazer pão em casa que praticava na Basilicata, região no sul da Itália. O pão italiano virou fonte de renda e alimenta a família há mais de 100 anos.

Assim como a Basilicata, as indústrias de pães também sentiram a queda na circulação, que afeta principalmente os supermercados. “Como todos os setores foram afetados,  o de alimentos também, refletindo diretamente na circulação de pessoas nos supermercados”, diz Suely.

Com 217 colaboradores, a empresa fechou 2015 com um faturamento de R$ 25 milhões. Um dos desafios para crescer é a logística. “Hoje, nossos produtos vão para São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás, Santa Catarina, Espírito Santo e Brasília. Mas, na panificação, o desafio é sempre abrir novos mercados e conquistar novos consumidores”, diz Suely.

O mestre dos padeiros
Apesar dos problemas enfrentados pelo mercado, ainda há espaço para quem sabe inovar. O empreendedor Rogério Shimura é um exemplo. Conhecido por criar pães para chefs renomados, como Alex Atala, Shimura fatura, hoje, ensinando panificação para quem pensa em entrar neste mercado ou quer fazer seus próprios pães. “A família do meu pai tem padarias desde 1942. Sempre atuei neste ramo”, diz.

Depois de comprar negócios e reformá-los, Shimura ganhou fama ao aparecer em programas de televisão. Sem querer, começou a ensinar como fazer pão e enxergou ali um mercado mais promissor do que as próprias padarias. Foi quando criou a Levain Escola de Panificação e Confeitaria. “Em 2012, achamos um espaço, no Ipiranga, em São Paulo, com 1000 metros quadrados. São 500 de fábrica e 500 de escola, que começou a funcionar em meados de 2013. Nesses quase três anos, já ensinamos 3200 alunos, sendo 80% de fora do estado de São Paulo, inclusive de outros países”, diz.

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